16

Feb

Coesão à saída da crise

Se os Estados europeus conseguirem resistir à tentação proteccionista, estes e a Europa sairão desta crise mais rapidamente – dizem. Mas, mais importante do que isso – que acontecerá eventualmente -, a UE arrisca-se a sair mais coesa. É isso que indica a viragem das intenções na Irlanda, quanto à aprovação do Tratado de Lisboa, que, fiando na interpretação feita, ocorre devido à crise. É um fugir com o cauda entre as pernas, de volta ao conforto da mãe-UE, após um tempo de grande prosperidade que a Irlanda sozinha viveu.

Chamar, como estou a chamar a isto, um fortalecimento da coesão é arriscado. Pode-o ser apenas na aparência, se os Estados não aprenderem a lição que a Irlanda está a dar. Meses antes, a Islândia, que estava só, sucumbiu, refugiando-se no apoio de países da UE. A Irlanda, os irlandeses, perceberam que a prosperidade sem a união. É o exemplo clássico da exploração máxima dos benefícios que a UE pode providenciar aliado à tentativa de ignorar as contrapartidas e obrigações que daí advêm.

Se as alturas de crise estão cheias de oportunidades, a do fortalecimento da coesão é uma das que se apresenta à UE.

15

Feb

Deixou de ser uma questão de estilo

No relato feito já chegado ao consulado espanhol em São Paulo, e citado pela agência noticiosa Efe, Herrero diz ter sido abordado “por um homem à paisana que se identificou como polícia”, enquanto estava a tomar um café no hotel de Caracas em que se encontrava alojado: “Disse-me que deveria aguardar uma mensagem.”

Algum tempo depois, narra ainda o eurodeputado, “chegou outra pessoa, que se identificou como representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros, acompanhado por uns seis ou oito polícias” que o “levaram pelos braços” e o enfiaram “à força numa carrinha”, sem lhe darem qualquer informação para onde o levavam.

À chegada ao aeroporto de Maiquetía, o veículo policial dirigiu-se para a pista, acabando Herrero por ser enfiado num avião da Varig com destino ao Brasil

Público

Escrevi aqui, está a fazer, mais dia menos dia, dois anos, que (e porque) compreendia a razão porque os venezuelanos votavam Chávez – e para esse (longo) post remeto.

Continuo a compreender, nesse aspecto, nada mudou, além das “evoluções” constitucionais que, por exemplo, conferem um maior poder ao chefe de Estado ou, como no que está nesta altura em causa, a perpetuação no poder da pessoa que for mais votada, através do fim do limite de mandatos. Tem traços de ditadura, de absolutismo, mas se o é ou não, verdadeiramente, a seu tempo se verá, mas não me parece que os venezuelanos estejam inconscientes das mudanças nesse sentido. O nível da qualidade de vida melhorou. Se o imperialismo colonial – territorial – já terminou há muito tempo, o imperialismo ainda perdurava, na economia, e limitava a evolução e o progresso desse país em particular. Houve alterações reais, benéficas, sentidas pelos venezuelanos, apesar da crise ter atenuado algumas delas. Mas sobre isso… remeto para o post que referi supra (de 2007) e para esta notícia do Público (parágrafo 6 a 10).

Mas o Chavez é hoje o que era no início. Essas alterações constituiram até uma afronta maior à UE e à “civilização ocidental” do que as outas alterações constitucionais, que são internas.

Também o seu estilo afronta mais do que essas alterações internas. Mas este episódio já ultrapassa uma questão de estilo. Convém, antes de mais, referir que um enviado da UE proferir aquelas afirmações, isoladamente, constituem só por si um incidente diplomático (bem mais grave, por sinal, do que um mero ‘por que no te callas?’).Mas a maneira, na linha do seu estilo, que Chávez optou por reagir é inadmissível e não poderá passar incólume à UE.

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