17

Jan

Também não presta

Finalmente, alguém abriu os olhos e reparou que o modelo de avaliação proposto pelo sindicato ainda é pior. De resto, já o tinha escrito a 15 de Novembro, post para o qual remeto.

«Segundo o presidente deste órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), “os sindicatos deveriam apresentar uma proposta alternativa que fosse justa, credível e séria”, o que até agora não aconteceu.

“A proposta que apresentaram no mínimo não é credível, nomeadamente porque se baseia em pressupostos que já estavam ultrapassados”, afirmou o responsável. Álvaro Almeida dos Santos afirmou que não fará greve na próxima segunda-feira, alegando que a realização de um protesto deve ser acompanhada da apresentação de propostas alternativas. “Não vislumbro perspectivas de construção de uma solução e é essa a minha objecção”, justificou.»

Público

25

Nov

Professores: Prós e Contras

Não vi o debate de ontem do Prós e Contras mas vi agora o “resumo” no Jornal da Tarde.

1. Aparentemente e folgo em ver que assim é, existe uma plataforma dita independente de professores que diz basicamente o mesmo que eu: que os sindicatos são incompetentes e que os sindicatos têm tido uma atitude negocial tão ou mais condenável do que aquela que o Ministério tem tido.

Absurdo foi ver o Mário Nogueira a acenar que sim com a cabeça ao ouvir as palavras da professora que representava este movimento.

2. Sobre o memorando já tinha escrito aqui que este implicava a aceitação do modelo, pelo menos até ao verão de 2009, onde deveria ser avaliado e renegociado.

Se foi acordado que o funcionamento do regime iria ser avaliado nessa data, isso implica, antes de mais, que o regime funcione.

Obviamente, os sindicatos não controlam os professores e representam os professores, quanto aos seus direitos laborais. Obviamente, os professores manifestaram o seu descontentamento em relação ao memorando. Afirmava, no programa, o Mário Nogueira que a assinatura do memorando não poderia implicar o fim da luta.

De facto, esse é um problema do sindicato e não de quem está do outro lado. Facto é que assinaram um documento que previa que o regime funcionasse. Segundo a boa fé, o mínimo que se exige é que não fomente, ou não se prejudique esse mesmo funcionamento. Os sindicatos podem lutar. Os sindicatos não controlam os professores, pelo que esse funcionamento poderia estar em causa de qualquer forma.

Mas pode o sindicato dizer, honestamente, que nada fez que colocasse em causa o normal funcionamento do regime de avaliação?

23

Nov

«E depois da maré vazar?»

No seguimento da ideia que tenho vindo a defender, deixo este excerto da coluna de São José Almeida: “E depois da maré fazer»” no Público de 22 de Novembro.

«De facto, os sindicatos assinaram um acordo com a minsitra e aceitaram um tipo de avaliação que foi lançada e posta a funcionar.

Só que os sindicatos não são as escolas. Os sindicatos representam professores, não são os professores. E é evidente em toda esta guerra que os sindicatos foram ultrapassados pela rua.

E só resta aos dirigentes sindicais engolir em seco, rasgar o acordo que assinaram e tentar navegar na crista da onda da contestação da rua, sob pena de serem afogados pelo voragem da rebentação e acabarem a não representar ninguém.

E, por mais que ap osição de Mário Nogueira e dos outros dirigentes sindicalistas seja de pura sobrevivência política, é bom que sobrevivam e que o poder negocial não caia de todo na rua.

A bem do ensino público, e do que resta da escola, quando a maré vazar.»

17

Nov

Tempo não falta

«17 a 21 de Novembro – prioridade à suspensão da avaliação em todas as escolas

25 Novembro – manifestações de professores em todas as capitais de distrito da região Norte
26 de Novembro – manifestações de professores em todas as capitais de distrito da região Centro
27 de Novembro – manifestações de professores em todas as capitais de distrito da região de Lisboa
28 de Novembro – manifestações de professores em todas as capitais de distrito da região Sul
3 de Dezembro – Greve nacional de professores e educadores
4 e 5 de Dezembro – Vigília de 48 horas à porta do Ministério da Educação
9 Dezembro – greves nas escolas da região Norte
10 de Dezembro- greves nas escolas da região Centro
11 de Dezembro – greves nas escolas da região de Lisboa
12 de Dezembro – greves nas escolas da região Sul
A partir de 15 de Dezembro, com os alunos já em férias, greves às reuniões de avaliação»

Público

Se somarmos todo este tempo, mais o tempo de preparação, mais o tempo já dedicado às outras manifestações e suas preparações, não será esse tempo todo suficiente para 3 ou 4 anos de avaliações?

E se somarmos as de Janeiro e Fevereiro, se lá chegarmos?

Os professores e Plataforma de Sindicatos estão dispostos a muita coisa, realmente estão…

A acompanhar esta agenda estava esta declaração:

«Os sindicatos insistem que só estarão disponíveis para negociações após a suspensão do modelo de avaliação pelo Ministério de Educação.»

Eu cá continuo há meses à espera que os sindicatos se sentem para negociar, na mesa onde o ministério já se sentou inúmeras vezes, à espera dos sindicatos. Pelos vistos ainda vão demorar. Já teria sido conseguido tanta coisa através do diálogo…

E acrescenta ainda a Plataforma de Sindicatos que vai agir contra as escolas que tentarem avançar com os procedimentos de avaliação. Ou seja, os professores que estiverem contra os sindicatos não são professores São traidores, vendidos à Ministra. Não têm direito a pensar, nem direito a trabalhar ou tampouco a cumprir uma lei que não tem nada de “ilegal” (passe a expressão), por muito que não gostem dela. Será uma argumentação curiosa, a que vão apresentar nos TAFs. E ainda se auto-denominam de sindicatos…é vergonhoso.

«A plataforma anunciou também que vai recorrer a tribunais para parar, por via de providências cautelares, todas as medidas de avaliação que sejam desencadeadas no âmbito do actual modelo e também qualquer alteração à lei com vista à simplificação desta.»

Isso, ou têm de pedir umas explicações aos “seus” professores de português.

17

Nov

Marketing

Já no primeiro dia se apontou como potencial defeito: a inexperiência política da Lurdes Rodrigues.

«“Ministério da Educação admite alterar sistema de avaliação dos professores“, diz a notícia.

Politicamente já é tarde. Principalmente quando se fez da teima um estilo distintivo. Este é um dos principais problemas de Maria de Lurdes Rodrigues – a máscara colou-se-lhe à cara e não a vai conseguir tirar facilmente.»

Blasfémias

A máscara já estava colada desde a primeira hora, mas ela e a sua equipa não fizeram por menos.

Este é só mais um exemplo do mau marketing político deste ministério.

Nem tudo o que dizem que é mau, é realmente mau. Houve, em certos (bastantes) momentos, um problema de comunicação. Ela não ouvia os professores? Antes disso ela nem sequer soube explicar aos professores o porquê de certas coisas. Facto que foi astutamente aproveitado politicamente, pelos sindicatos e a esquerda que lhe está ligada.

A bola de neve foi crescendo, mas este exemplo que dou até é bem mais básico.

O tal ponto 5 do memorando a que tenho aludido, já previa que se fizessem alterações ao sistema de avaliação.

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15

Nov

Crítica ao regime alternativo da FENPROF

Como já tinha escrito, falho em perceber como é que este regime de avaliação proposto pela FENPROF vai diminuir de forma *significativa* a burocracia e o tempo que os professores avaliadores vão ter de dedicar à avaliação.

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14

Nov

Ponto 5 do Memorando

«Em 2008/2009, a avaliação assume um carácter experimental, pois eventuais classificações negativas não produzirão efeitos, o processo é acompanhado por uma comissão paritária que integra os sindicatos e, para o final do ano lectivo (Junho e Julho de 2009), está já prevista a alteração do modelo.»

É curioso que, ao contrário das declarações públicas de professores e mesmo de responsáveis dos sindicatos, a fenprof, no site, no meio de um longo documento, admite exactamente aquilo para o qual tenho chamado a atenção.

O ponto 5 do memorando previa que o regime de avaliação funciona-se experimentalmente durante este ano lectivo, sendo revisto e avaliado no final. Ou seja, “funcionava”. Agora exige-se a suspensão. A utilização dos media é tão bonita…

PS: para amanhã fica uma crítica à proposta, que não me parece ser fundamentalmente má (aliás, tem pontos bastante bons, como o tem o regime do ME), apesar de ser muito diferente. Parecendo-me ser, contudo, manifestamente insuficente e demasiado corporativista. Já escrevi o post… entra amanhã.

14

Nov

Os (potenciais) efeitos da demissão

«Manuel Alegre pôs o dedo na ferida: “Como reformar a educação, sem ou contra os professores?”, questionou o histórico deputado socialista, afirmando em voz bem alta, como é seu costume, aquilo que muitos trampolineiros do partido do Governo vão já dizendo também por aí, mas por enquanto ainda em sussurro. A crítica de Alegre é política[...]»

Como na altura aqui escrevi, a “escovadela” de que o titular da Saúde foi alvo reforçou a legitimidade da acção política de Alegre, dentro e fora do partido. Sócrates detesta as posições críticas de Alegre, embora só agora isso tenha ficado transparente.»

Corta-fitas.

Sim, é verdade que a “escovadela” produziu alguns efeitos. Mas foram efeitos algo menores, em particular, destaca-se o não fecho de uma ou outra unidade de saúde. Não houve uma única mudança, que se possa chamar de “fundamental”, na política do ministério, não obstante a mudança de ministro.

Houve sim, uma mudança de clima social e político. Tenho dúvidas de que antes e depois dessa crise, não tenham existido, ou tenham deixado de existir os problemas no INEM, de atrasos e descoordenações, por exemplo. Os media simplesmente passaram para outra e é impossível ignorar o papel determinante que os media têm no crescimento dessas crises, como se de um dia para o o outro as coisas tivessem ficado assim, como se estes mesmo media não tivessem a “responsabilidade-dever” de informar, quer seja o assunto seja mais ou menos ‘pop’. Fazer cara de espanto, como muitas vezes fazem, é pouco abonatório da classe.

Em todo o caso, tenho sérias dúvidas de que a substituição da ministra produza o mesmo efeito de alteração de clima, que termine a “crise”. Até poderia fazer com que o governo recuasse na questão da avaliação. Mas, como já tinha escrito aqui, isso vai mudar o quê, nas políticas educativas? Os alunos vão deixar de atirar ovos, porque a avaliação dos professores foi suspensa?

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13

Nov

Re: FENPROF o anti-sindicato

Em (boa) discusão com o Rui Maio nos comentários a este post, escrevi um comentário/resposta que me parece melhor transforma-lo (também) em post: (more…)

12

Nov

FENPROF o anti-sindicato

O Daniel Oliveira diz que está confuso:

«As coisas ainda estão um pouco confusas e não é claro para mim o que está realmente o governo a propor de diferente.»

Arrastão

Sim, provavelmente é verdade. Mas e o que está o Sindicato a propor? Tanto falam de fazer um regime de avaliação radicalmente diferente deste, que certamente já terão feito uma proposta concreta, certo?

Pois, eu já suspeitava que nem tivessem um ideia clara sobre esse famoso regime alternativo.

O sindicato só agora está a conceber um regime de avaliação.

«A Federação Nacional dos Professores está a elaborar um sistema alternativo de avaliação de docentes para apresentar à tutela, que deverá estar concluído no início do próximo ano, após três meses de debate público nas escolas.»

Educare

Muito triste, tendo em conta que desde que isto está na praça pública que aludem a um tal regime diferente, alternativo.

Isso é uma pequenina prova do que eu tenho vindo a defender: os professores são terrivelmente mal representados por este sindicato.

Mas esta é mesmo uma prova muito pequenina, ora vejamos:

Se tivermos em conta que os sindicatos servem para defender os direitos laborais dos trabalhadores, neste caso os professores; e se tivermos ainda em conta que a avaliação é um verdadeiro direito de qualquer funcionário público; direito balizado pelo princípio da igualdade e protegido pelo direito de impugnação contenciosa, o que implica a existência de uma avaliação fundamentada, para que possa efectivamente valer, então:

Como é possível que só hoje é que o sindicato esteja a começar a esboçar a proposta de um regime de avaliação?

Já é suficientemente mau que não tenha ainda concebido um, desde que os protestos começaram. Mas como defensores dos direitos laborais dos professores, como é que é possível que nunca se tenham importunado com esta questão ao longo das últimas décadas? (more…)

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