13
Apr
18
Feb
Não é que concorde com Hugo Chávez mas está bem que não só tem impulsos totalitaristas como também se alinhou no chamado “Eixo do Mal” numa função que parece um bocado a de um relações públicas.
Através disso conseguiram dinheiro de empresas que nunca lhe haviam pago nada em 20 anos. Um caso de retroactividade, em que a Venezuela “recupera” o dinheiro perdido, conseguindo mesmo mais dinheiro de impostos do que da venda do petróleo. Sendo que em 2004, o PIB cresceu: 18%, 9% em 2005 e 9.6% na primeira metade de 2006; e mesmo com as nacionalizações e ameaças de nacionalizações mais abrangentes, o sector privado cresceu 10%; o desemprego desceu de 20% para 10% e os números gerais de pobreza desceram também 10%, tal como a inflação, de 29.9% para 14.4%.
Não deixa, portanto, a imagem de um putativo ditator sadístico. Antes, alguém com uma profunda preocupação pelo seu país e pelo seu povo.
Veja-se este caso:
«Venezuela’s President Hugo Chavez has threatened to nationalise stores that sell meat above a government-set price.
É claro que do ponto de vista do liberalismo económico, o ponto de vista ocidental, isto é criticado, mas aqui está mais patente uma intenção de protecção dos mais pobres, do que um verdadeiro ataque ao capitalismo. Afinal, tratam-se dos produtos básicos de alimentação.
Por isso não percebo que critiquem *todas* as suas políticas e muito menos esta. Veja-se o exercício que fazem aqui, para descobrir as diferenças entre esta medida e uma que o Bloco de Esquerda apresentou e o CDS-PP, pasme-se, aplaudiu.
«O projecto de lei do BE, que foi hoje discutido em plenário, previa a introdução de um regime de preços máximos na venda de medicamentos não sujeitos a receita médica, de forma a permitir contrariar o que considera ser a “efectiva e continuada tendência de subida de preços” verificada após a liberalização do mercado destes produtos.
“Não havendo preço máximo estabelecido, os preços tendem a subir”, afirmou o deputado do BE João Semedo, alertando para a “contínua subida” do preço dos medicamentos não sujeitos a receita médica desde que o Governo introduziu a “liberalização do local e preço de venda” deste tipo de medicamentos, há um ano.
[...]
“O Governo trata os medicamentos de venda livre como uma simples mercadoria”, acusou o líder da bancada comunista, Bernardino Soares, adiantando que o PCP concorda com a introdução de um regime de preços máximos “para evitar exageros”.
Pelo CDS-PP, o deputado Hélder Amaral admitiu que o seu partido deu um “acordo de princípio à liberalização do mercado” dos medicamentos não sujeitos a receita médica.
Se nós, sobre nós, dizemos isto, em algo que, sendo importante, não é tão importante como os alimentos básicos; porque dizemos nós tão mal sobre tudo o que Chávez faz?Mas o que me parece, é que os venezuelanos, os não ricos (e imagino que demograficamente seja parecido com o Brasil), estão prontos a prescindirem, pelo menos durante uns tempos, de muitas das suas liberdades, o que curiosamente não significará uma exclusiva perda de direitos fundamentais, pois o trade-off são precisamente, ganhos nos mesmos direitos fundamentais, na igualdade, no emprego, no acesso aos bens básicos. Enfim, globalmente, mesmo perdendo as liberdades, deverão considerar que é a única forma de o país dar o salto, evoluír, a pobreza ser irradicada, etc.
No fundo, Chávez, parece-me que tenta implementar uma nova forma política (nova, por (co)existir no contexto actual global) baseada no socialismo, que não é comunismo, nem nega o capitalismo, com um tendência marcadamente proteccionista e nacionalista, do ponto de vista económico. Mesmo as nacionalizações (ou algumas semi-nacionalizações), não parecem travar uma certa liberdade económica, privada, pois esta tem vindo a aumentar. Existe uma promoção do capitalismo entre os venezuelanos e um nacionalismo, proteccionismo, face aos estrangeiros. Afinal, «a liberalização do mercado é uma roleta russa», como diz o próprio CDS/PP.
Da perspectiva deles, parece-me perfeitamente compreensível o apoio que lhe dão e parece-me que têm perfeita noção de que estão/vão sacrificar as suas liberdades, para fugir da pobreza, para terem emprego, para terem educação e saúde, etc.
Aliás, nós falamos em liberdade, pensando na nossa liberdade, que temos. Mas qual é a liberdade que eles realmente tiveram até agora e a que vão continuar a ter? «liberty without learning is always in peril; learning without liberty is always in vain.», dizia John F. Kennedy – o que faz deste caso algo paradigmático. Têm uma liberdade assim-assim, mas um elevado desemprego, pobreza generalizada, e uma educação, por não terem condições, deficiente – o que faz com que mesmo a liberdade assim-assim não seja completamente exercida/usufruída. Vão passar a ter emprego, dinheiro, educação, mas vão deixar de ter as liberdades.
Faz-me lembrar as concepções sobre as evoluções dos Estados, que evoluem por fases, nunca saltando (devendo saltar) uma fase. Coisa que muitos países da américa latina terão feito, da mesma forma que muitos africanos, da mesma forma que no Iraque o estão a fazer. Só consegue ser um Estado de Direito, democrático, quem tiver uma população preparada para isso.
Isto faz-me também pensar em Portugal e na frase «Isto só lá vai com um Salazar em cada esquina» e perceber um pouco porque as pessoas o dizem, mesmo tendo ele sido um ditador impiedoso e perceber que se calhar o que imaginam, será uma espécie de Chávez, mas com a atitude passiva internacional que Salazar tinha.
Não que concorde com o ditado ou com Chávez, mas creio que pondo as coisas em perspectiva, se torna possível compreende-las melhor.
PS: eish… isto ficou grande, a ver se com umas imagens e umas cores fica mais soft
9
Feb
José María Aznar: «Não havia armas de destruição em massa».
7
Feb
Via Arrastão:
1
Feb
Música composta por Thom Yorke, a propósito do suícido de David Kelly, o especialista britânico que gerou, inadvertidamente, um escândalo político, em 2003, por causa das armas de destruíção maciça.
Thom Yorke: “The government and the Ministry of Defence… were directly responsible for outing him and that put him in a position of unbearable pressure that he couldn’t deal with, and they knew they were doing it and what it would do to him… I’ve been feeling really uncomfortable about that song lately, because it was a personal tragedy, and Dr Kelly has a family who are still grieving. But I also felt that not to write it would perhaps have been worse.“
Harrowdown Hill foi o local onde David Kelly foi encontrado morto.
A música e a letra dizem tudo.
Don’t walk the plank like I did
You will be dispensed with
When you’ve become inconvenient
In the harrowdown hill
Where you went to school
That’s where I am
That’s where I’m lying down
Did I fall or was I pushed?
Did I fall or was I pushed?
And where’s the blood?
And where’s the blood?
I’m coming home
I’m coming home
To make it all right
So dry your eyes
We think the same things at the same time
We just cant do anything about it
So don’t ask me
Ask the ministry
Don’t ask me
Ask the ministry
We think the same things at the same time
There are so many of us
So you can’t count
We think the same things at the same time
There are too many of us
So you can’t count
Can you see me when I’m running?
Can you see me when I’m running?
Away from them
I can’t take their pressure
No one cares if you live or die
They just want me gone
They want me gone
I’m coming home
I’m coming home
To make it all right
So dry your eyes
We think the same things at the same time
We just cant do anything about it
We think the same things at the same time
There are too many of us
So you can’t count
It was a slippery slippery slippery slope
It was a slippery slippery slippery slope
I feel me slipping in and out of consciousness
I feel me slipping in and out of consciousness
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