7

Oct

Instinctos Extintos

O que é a experiência? Diz-se que à medida que uma pessoa vai envelhecendo, vai ficando mais madura, mais experiente. Não falo da experiência profissional, pois essa pode-se resumir ao conhecimento exaustivo de certas matérias; conhecimento esse quase sempre solidificado pela “mera” repetição ao longo do tempo, até que se encontra interiorizado e ‘thus’ se é “experiente”.

Não é dessa experiência a que me refiro, antes aquela que nos molda os comportamentos, nos torna conservadores, que nos faz apelidar as novas gerações de rasca, mais avesos à mudança e, sobretudo, a novas experiências – tão experimentados que nos tornamos. Porquê?

Não será a “experiência” a interiorização de um conjunto de comportamentos politicamente correctos, negando o nosso próprio modo de ser?

Creio que a experiência será sobretudo a perda de genuídade, da originalidade, da espontaneidade. Um adulto que consiga manter essas características talvez até seja apelidado (ou confundido) de excêntrico. Uma criança ou um adolescente, apenas estão a ser eles próprios. A seguir os seus instinctos e raramente se pode dizer que um adolescente se sente “sozinho”. Claro que não ignoro as depressões juvenis e tudo o que a isso está associado mas, paradoxalmente, isso é fruto da tenaz peer pressure juvenil.

É óbvio que também existe peer pressure na idade adulta e especialmente à medida que nela se vai entrando e por ela se é engolido. , Estatísticas mostram claramente que, nuns países mais do que noutros, há bastantes pessoas que não conseguem lidar com isso. Existirão razões psicológicas e sociológicas para as divergências, mas não se poderá dissecar a questão e reduzí-la, primariamente, a este negação dos nossos instinctos, do que faz a nossa individualidade; que nos conduz, possivelmente de forma irremediável, para uma solidão mais ou menos aparente ao olhar externo?

De alguma forma torna-se politicamente correcto aceitar com normalidade matanças diárias em guerras pelos quatro cantos do globo, por vezes até em directo e a cores, mas já é “natural” quando se trata de calamidades naturais. Foi fantástico observar, por exemplo, como a fanfarra dos Jogos Olímpicos abafou e atirou para trás das costas, por completo, aquilo de que se falou durante meses em antecipação. São naturais as pequenas carnificinas ocorridas em escolas e universidades, mas subitamente  já é escandaloso uma miúda não dar o telemóvel à professora que não dava aulas à não sei quantos anos. É natural todo o bombardeamento diário nas televisões, rádios, publicidades, filmes, etc, envolvendo sexo; mas “cruzes credo” se havemos de falar disso e muito menos sequer pensar em aulas de educação sexual. É preciso algo acontecer no nosso quintal para os nossos instinctos acordarem. Mas parece que o objectivo passa também por sonegá-los por completo, através de 24h/24h de Maddie, até não haver mais nada para vomitar.

Porque é que a experiência de vida sôa (e é) tanto a esta negação? Quando for grande quero ser excêntrico.

21

Mar

O preconceito da menoridade

Noto muito preconceito por se tratar de uma cidadã menor de idade.

Mais do que uma aluna e uma professora, estão ali uma cidadã, na sua veste de particular, e outra cidadã a agir como funcionária da administração pública. O facto de ela ser menor só torna a situação mais grave, pela maior desigualdade de posições.

Se não fosse uma menor; se fosse um cidadão qualquer maior de 18 anos e este estivesse a falar ao telemóvel numa biblioteca, não lhe seria apreendido o telemóvel; se estivesse a fumar em qualquer local em que tal fosse proibido, não lhe seriam apreendidos o maço de tabaco ou o isqueiro/fósforos.

É evidente que tinha de haver uma reacção por parte da escola/docente, mas não era esta. Não pode ser esta.

É um ataque ao bom senso que só passa por estarem em causa menores que, mesmo que leiam os regulamentos – como manda o Estatuto do Aluno -, não sabem bem o que querem dizer e muito menos conhecem a ‘big picture’ (que diacho, nem muitos crescidos sabem).

Seria um ataque ao bom senso inquestionável caso estivéssemos perante dois cidadãos a agir como particulares. Mais o é, quando estamos perante uma cidadã menor e uma funcionária pública. Nem as polícias podem apreender, sem mais nem menos – apenas em casos excepcionais ex: reboque de um automóvel que esteja a violar determinadas (e bem determinadas) normas do Código da Estrada -, a propriedade privada dos cidadãos, mesmo que de forma temporária. Jamais perante uma violação do uso de telemóvel.

Trate-se do fenómeno, mas o episódio, por tudo isto, é infeliz, como amostra.

Dito isto, não ignoro que este tipo de rebeliões acontecem em episódios completamente aleatórios. A RTP já nos mostrou essa realidade no ano passado. A reacção da aluna, que segundo o Correio da Manhã, se mostra arrependida, foi completamente inconsciente dos seus direitos; tal como a sua mostra de arrependimento o é. Ou então sabe que se não o mostrar, depois de tantas pessoas terem feito o favor de mostrar as caras de toda a gente, isso terá, de facto, consequências, porque a sociedade é como é… Não muito diferente dos britânicos que pretendem que os professores indiquem quem são os rufias, logo em precoce idade, para que se insira o seu ADN na base de dados de (potenciais) criminosos – e esses nem precisam de fazer “delinquências”, basta que os professores “cheirem” essa possibilidade.

PS: não faço finca pé da questão e se melhor opinião surgir, não tenho problema nenhum em a aceitar; mas pouca gente ou quase ninguém se tem pronunciado sobre isto nestes moldes e de forma fundamentada.

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