7

Feb

Autárquicas 2009 Braga – A perceber #2

2. Terá de perceber que embora Braga necessite de uma recuperação da zona histórica, não é uma tarefa tão simples como à de Guimarães. Não só porque Braga é bastante maior, mas porque terá de compreender que grande parte do problema está completamente fora do alcance do poder autárquico. Numa cidade como Braga, jamais será possível conseguir-se uma plena recuperação da zona histórica e uma recuperação urbana sem que as leis do arrendamento sejam alteradas.

Este é o mesmo problema que existe no Porto e em Lisboa. É inconcebível que se dê semelhante recuperação com pessoas a pagarem as rendas que pagavam há 20, 50 ou 80 anos. Contratos que, ainda por cima, podem ser hereditários. Como o Estado conseguirá alterar essas leis? Não sei. Sei que a solução não pode passar pela expropriação e pelo desalojamento dessas pessoas. Muito menos pela marginalização dessas pessoas em bairros sociais.

Se o objectivo de levar pessoas a viver no centro está praticamente impossibilitado, já o objectivo de levar pessoas ao centro não está. Transportes públicos eficientes e a construção de uma rede de eléctricos permitirá isso. Sai mais barato ao utente a utilização de um eléctrico para se deslocar ao centro, do que o pagamento da deslocação e do parqueamento do automóvel. Essa utilização do eléctrico é mais lucrativa para o município do que os pagamentos exorbitantes que os  cidadãos têm de deixar nos parques subterrâneos.

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2

Feb

Autárquicas 2009 Braga – A perceber #1

Quem quiser ser eleito e realmente fazer com que Braga dê a volta por cima, terá de perceber certas coisas:

1. Pese embora a crise ser mundial e serem necessárias medidas a nível mundial; pese embora muito passe pelo que o governo pode fazer; Braga está em vantagem em relação a todos os municípios portugueses. Está em vantagem, porque ao longo dos últimos 30 anos foi cometido um erro enorme. A cidade e a universidade não se dão uma com a outra.

Os bracarenses não sentem uma ligação à universidade, à excepção daqueles dia em que invadem o centro com praxes e cortejos, ou aqueles dias em que se fazia uma barulheira enorme junto à ex-Bracalândia.

Os universitários são capazes de passar 5 anos em Braga sem chegar a conhecer Braga. Estamos a falar de um universo de cerca de 10.000 pessoas. Pessoas jovens que têm interesses que passam pelo desporto, cultura e lazer. A título de exemplo: é inconcebível que o Vila Flor faça mais publicidade no campus de Braga do que o Theatro Circo, cuja publicidade é nula; é inconcebível que os vários clubes desportivos (o Sporting de Braga, o ABC e o Hóquei) não procurem, de todo, com a excepção de algumas tímidas iniciativas do Sporting de Braga, uma relação com os universitários.

Mas isto é o menos. A sociedade civil, as empresas e as indústrias não estão ligadas à universidade e nem estas nem a universidade procuram essa ligação. Para prejuízo dos alunos, para prejuízo da universidade e para prejuízo das empresas e das indústrias. Mas sobretudo existe um prejuízo para a cidade, como um todo, que vê muitos destes jovens recem-formados, jovens com iniciativa, com ideias e com capacidade, fugirem para outras zonas do país ou mesmo para o estrangeiro.

Muito pode o município e quem for eleito para a presidência e para a assembleia fazer quanto a isso. Quando os economistas dizem que esta altura de crise é também uma altura de oportunidades… pois bem, é bom que abram os olhos e aproveitem esta, que tem um potencial enorme e a correcção deste erro já vem muito tarde.

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25

Nov

Ruínas e Centro Histórico

Sobre as ruínas recentemente encontradas na Avenida Central, diz Sande Lemos no blogue Avenida Central:

«Há portanto duas frentes que deveriam ser aprofundadas: a suspensão imediata das obras na Avenida da Liberdade. Segundo: uma pressão vigorosa para que o Município invista a sério no Centro Histórico e com a máxima rapidez, não daqui a um ano, mas já.

Por último é urgente que se estabeleça como regra o acompanhamento arqueológico de todas as obras de vulto, incluindo urbanizações que realizam nos arredores da cidade. E para delimitar as zonas patrimoniais mais sensíveis deve-se proceder, também com urgência, a prospecções sistemáticas em toda a área do concelho, financiadas pela autarquia.»

Eu não sei bem quais são as expectativas dos bracarenses em relação ao assunto.

Também não conheço os projectos já apresentados, mas não percebo, à partida, como pretendem conciliar a musealização das ruínas com o trafégo subterrâneo de automóveis, se é que o pretendem conciliar.

Concordo que existe uma necessidade, particularmente urgente, como já ficou demonstrado pelos acontecimentos na Rua dos Chãos, como também recorda Sande Lemos

«Sera que já nos esquecemos dos operários que morreram na Rua dos Chãos? Tragédias idênticas só não ocorreram por acaso, na Rua de S. Marcos e na Rua da Cruz da Pedra.»

Mas será que queremos misturar os dois assuntos?

É que mesmo o debate sobre a forma como se deve tratar o assunto dos vestígios arqueológicos parece estar a ser muito – demasiado – direccionado para este caso concreto. Verdade é que existem alguns que foram, parece-me, bem integrados (Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e Estação da CP), apesar da norma, provavelmente contestada a nível mais técnico, mas relativamente incontestada a nível “público”, a quem agora se apela, foi a da escavação, catalogação do que se encontra e posterior enterramento ou, num caso ou noutro, deslocalização dos achados.

Não sei bem o que se pretende com tudo isto. Sei que a vontade de muita gente até seria cortar o trânsito, por completo, ad eternum, no centro da cidade. Talvez essa seja parte da motivação, da mesma forma que o assunto está a servir para falar sobre a recuperação do centro histórico, num plano bem mais geral.

Parece-me que, no que às ruínas concretamente diz respeito, o assunto poderá ser resolvido de uma forma relativamente célere. Mas se quiserem tornar esta situação concreta num caso maior, de completa renovação e reordenamento do centro histórico, temo que não vá ser assim tão célere.

Certamente, existirá também algum desejo, pelo menos de algumas partes, de arrastar um pouco o assunto até às autárquicas (e aí seria, provavelmente, adiada a solução para uma data posterior), para que exista, mais do que a “consulta pública” (que entendo como consulta de técnicos e de certas instituições), um debate mais alargado, da sociedade civil e dos entes políticos e que se acabem por gerar promessas eleitorais quanto à revitalização da zona histórica.

13

Nov

Autárquicas Braga/09: temas da agenda política

Já que estamos numa de previsões autárquicas, estou curioso para saber quais irão ser os temas escolhidos pela oposição. Há alguns bons, como o défice cultural, penalizado ainda mais pela perda da capital europeia da cultura ou a inexistência de uma obra significativa neste mandato, com a excepção do prolongamento do túnel da avenida da liberdade.

Um tema garantido, será o dos transportes, que o Pedro Morgado tem tratado de forma exaustiva no seu blogue.

Haverá uma exploração do défice de voz, de poder, da cidade e região de Braga, para se impôr a nível nacional? Nomeadamente, em questões concretas, como as que o Pedro referia aqui, em Maio?

Poderemos falar, depois das eleições, de um eventual papel mais ou menos determinante, com maior ou menor peso, no desenrolar da campanha/eleições?

Mas existem também questões (aparentemente) menores, como esta história dos sintéticos. Nos recentes mandatos, atingiu-se, praticamente, um pavilhão e uma piscina por freguesia. Corre-se, algo assustadoramente, para a construção de um campo (de futebol) sintético por freguesia. Pelo menos, acredito que essa será a realidade, se o PS e o Mesquita “renovarem contrato”. Aliás, a provar esta ideia, está a notícia de dia 11 do Diário do Minho, que trata da celebração de uma pareceria público-privada, no valor de €30M, para a construção ou melhoramentos de praticamente 50 “recintos desportivos”.

Se tomarmos em consideração a história eleitoral bracarense, verificamos que o PS tem vindo a ganhar as eleições nas freguesias periféricas ou não-urbanas. E, por não estarem ainda inteiramente betonadas, são (têm sido) estas as principais receptoras destes investimentos. Como votarão estas pessoas?

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