27

Mar

Em busca dos parques perdidos

Embora eventualmente meritório, em si, pouco ou nada do que o Mesquita Machado possa fazer ou vir a fazer em Braga poderá ser considerado como oportuno ou em tempo útil.

Surge hoje no Diário do Minho (a versão impressa é bastante mais desenvolvida do que a notícia online), uma peça sobre um parque arborizado (a área de implantação do glorioso parque, aparentemente, é inferior aos parques de estacionamento de alguns hipers da zona) que está a ser construído no vale de Lamaçães.

«O plano que fizemos foi para que este vale tivesse tudo: habitações para todos os preços [a propósito disto, apelida-o de «vale democrático»] e espaços agradáveis devidamente tratados»

Ficará para a história a declaração de que o vale de Lamaçães obedece a um plano, que parece que existe, apesar da total desordem que apresenta e que já há muito tempo que se denuncia. É necessário um certo desplante para, não só se afirmar que o vale obedece a um “plano”, mas para afirmar, igualmente, que este «faz inveja a muita gente».

«Para se ter um espaço como este [o parque arborizado] tem de haver vida e pessoas e isso só se consegue depois das urbanizações estarem concluídas e habitadas»

Esta afirmação, sublinhe-se, foi estampada hoje, 27 de Março de 2009. Quem conhece, sabe que pouco existia no vale da Lamaçães até há cerca de 15 anos atrás – meados dos anos 90, portanto -, altura em que a expansão para essa zona despolotou. Com a excepção de um ou outro terreno que permanece vazio, mais na zona das traseiras da Makro (onde já começam a surgir mais alguns pavilhões comerciais), a zona, para além de desorganizada e caótica, está praticamente saturada. Registe-se então, que, para o Mesquita Machado, «haver vida e pessoas» significa um estado de saturação.  Repito, é preciso um certo desplante para se vir, em 2009, afirmar semelhante coisa. Notável é que se desculpe com um atraso do Tribunal de Contas, referente a um passado muito recente, quando a obra em si surge pelo menos 10 anos atrasada.

Mas bravo! Apesar de ser comparativamente pequeno em comparação com os parques de estacionamento daos hipers da zona (até seria uma boa ideia – radical, talvez – “dar” um metro quadrado de parque arborizado por cada metro quadrado de parques de estacionamento); apesar de obdecer a um plano mas estar numa extremidade do vale; finalmente essa zona vai ter um parque. Agora já só faltam todas as outras zonas da cidade de Braga que, sem contar com o decrépito parque da Ponte, só dispõe do Bom Jesus, já algo periférico.

Termino repetindo a ideia inicial: para quem já lá está há cerca de 30 anos, pouco ou nada do que possa fazer virá em tempo útil. Não existe nem existiu um plano. Se existiu uma visão, já se esgotou há décadas.

A título de curiosidade, este parque custará cerca de 0,5% (500 mil euros) daquilo que custou o Estádio Municipal de Braga Axa.

7

Feb

Autárquicas 2009 Braga – A perceber #2

2. Terá de perceber que embora Braga necessite de uma recuperação da zona histórica, não é uma tarefa tão simples como à de Guimarães. Não só porque Braga é bastante maior, mas porque terá de compreender que grande parte do problema está completamente fora do alcance do poder autárquico. Numa cidade como Braga, jamais será possível conseguir-se uma plena recuperação da zona histórica e uma recuperação urbana sem que as leis do arrendamento sejam alteradas.

Este é o mesmo problema que existe no Porto e em Lisboa. É inconcebível que se dê semelhante recuperação com pessoas a pagarem as rendas que pagavam há 20, 50 ou 80 anos. Contratos que, ainda por cima, podem ser hereditários. Como o Estado conseguirá alterar essas leis? Não sei. Sei que a solução não pode passar pela expropriação e pelo desalojamento dessas pessoas. Muito menos pela marginalização dessas pessoas em bairros sociais.

Se o objectivo de levar pessoas a viver no centro está praticamente impossibilitado, já o objectivo de levar pessoas ao centro não está. Transportes públicos eficientes e a construção de uma rede de eléctricos permitirá isso. Sai mais barato ao utente a utilização de um eléctrico para se deslocar ao centro, do que o pagamento da deslocação e do parqueamento do automóvel. Essa utilização do eléctrico é mais lucrativa para o município do que os pagamentos exorbitantes que os  cidadãos têm de deixar nos parques subterrâneos.

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2

Feb

Autárquicas 2009 Braga – A perceber #1

Quem quiser ser eleito e realmente fazer com que Braga dê a volta por cima, terá de perceber certas coisas:

1. Pese embora a crise ser mundial e serem necessárias medidas a nível mundial; pese embora muito passe pelo que o governo pode fazer; Braga está em vantagem em relação a todos os municípios portugueses. Está em vantagem, porque ao longo dos últimos 30 anos foi cometido um erro enorme. A cidade e a universidade não se dão uma com a outra.

Os bracarenses não sentem uma ligação à universidade, à excepção daqueles dia em que invadem o centro com praxes e cortejos, ou aqueles dias em que se fazia uma barulheira enorme junto à ex-Bracalândia.

Os universitários são capazes de passar 5 anos em Braga sem chegar a conhecer Braga. Estamos a falar de um universo de cerca de 10.000 pessoas. Pessoas jovens que têm interesses que passam pelo desporto, cultura e lazer. A título de exemplo: é inconcebível que o Vila Flor faça mais publicidade no campus de Braga do que o Theatro Circo, cuja publicidade é nula; é inconcebível que os vários clubes desportivos (o Sporting de Braga, o ABC e o Hóquei) não procurem, de todo, com a excepção de algumas tímidas iniciativas do Sporting de Braga, uma relação com os universitários.

Mas isto é o menos. A sociedade civil, as empresas e as indústrias não estão ligadas à universidade e nem estas nem a universidade procuram essa ligação. Para prejuízo dos alunos, para prejuízo da universidade e para prejuízo das empresas e das indústrias. Mas sobretudo existe um prejuízo para a cidade, como um todo, que vê muitos destes jovens recem-formados, jovens com iniciativa, com ideias e com capacidade, fugirem para outras zonas do país ou mesmo para o estrangeiro.

Muito pode o município e quem for eleito para a presidência e para a assembleia fazer quanto a isso. Quando os economistas dizem que esta altura de crise é também uma altura de oportunidades… pois bem, é bom que abram os olhos e aproveitem esta, que tem um potencial enorme e a correcção deste erro já vem muito tarde.

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2

Feb

Re: O investimento desportivo em Braga

Diz o Pedro Morgando no Avenida Central:

Também incompreensíveis, são as palavras de Alex Prata no blogue Geração Braga 2009, ao perguntar «porquê €440,000 para o S. C. Braga e zero para os restantes?», referindo-se aos apoios que foram concedidos pela autarquia bracarense ao «programa de desenvolvimento desportivo que o Sporting Clube de Braga

se se acredita que a Câmara Municipal deve delegar algumas das suas competências na sociedade civil, então o Sporting de Braga parece ser um agente natural e privilegiado na promoção da actividade desportiva e na formação de atletas.

Não acho escandalosa essa atribuição de verbas. Não acho correcta, mas não é escandalosa.

Se parece natural (e admito que sim) que essa delegação de competências recaia sobre o Sporting de Braga, acho que isso é um tremendo erro. É certo que tem outras modalidades, mas o principal foco está na actividade futebol. É assim em todos os clubes nacionais. Não é diferente no Braga. Daí ser mais importante a diversificação. Porque até pode existir esse investimento de 440 mil euros na formação. Mas não existe continuidade, ou sequer condições, a nível profissional. Aliás, o blog do município de Braga, para o qual linkam no Geração Braga 2009, referem mesmo que solicitam um acréscimo de 10% no valor do apoio, devido à criação de uma equipa de boccia e de duas novas equipas de futebol de formação.

Pegando no título dado ao post no blog do município, procura-se apoiar (mais) quem já apoia os mais jovens. Não se procuram outras entidades que queiram – e tenham projectos – apoiar os mais jovens. Ao não se dar esse apoio, não se está a possibilitar que essas outras entidades possam apoiar os mais jovens com o mesmo ênfase que é permitido ao Sporting de Braga. Numa cidade que tem três clubes de âmbito nacional, não se percebe bem. Percebe-se que existe iniciativa para além do futebol. Que essa inciativa subsiste com algum custo. Percebe-se que provavelmente existira maior inciativa, até noutras modalidades, se existisse essa vontade inicial de apoiar, de apostar.

Mas escandalosa foi a decisão de construir um monumento arquitectónico, em vez de um mero estádio, com todos os custos exorbitantes que lhe estiveram inerentes.
Custos comparáveis aos estádios de +55000 pessoas que foram construídos (não me recordo do custo exacto, mas excedia os 100M, pese embora apenas uma parte ter sido paga pelo Município; uma parte considerável, pois trata-se de um estádio municipal, feito AXA).

Não só isso prejudicou directamente outros clubes desportivos de Braga (donde sobressai o ABC, que continua naquele pavilhão miserável), como também hipotecou durante anos o projecto de infraestruturas desportivas que existia para aquela zona.

Certamente que sobraria dinheiro para outras investimentos, como a recuperação urbana de Braga, da recuperação e construção de parques (jardins) e a recuperação do centro histórico.

Existem ainda outros apoios indirectos, como a construção de sintéticos em todas as freguesias. Se não existem projectos para todas as freguesias, se o PS ganhar as autárquicas, para lá se caminha. Temos pavilhões, temos piscinas e agora sintéticos. Falta de infraestruturas não existe. Até existe em excesso. Mas as condições à prática de desporto não se resumem a essa existência.

24

Dec

Bracara nostálgica

Oh, sair em Braga no Natal é tão diferente. Gente de Espanha, Inglaterra, Holanda ou mais próximo como Lisboa; gente que não vemos à tanto e que religiosamente retorna à base.

E amanhã ainda há o Bananeiro!

Engraçado como se tem nostalgia de uma cidade em que vivemos durante o ano inteiro.

25

Nov

Ruínas e Centro Histórico

Sobre as ruínas recentemente encontradas na Avenida Central, diz Sande Lemos no blogue Avenida Central:

«Há portanto duas frentes que deveriam ser aprofundadas: a suspensão imediata das obras na Avenida da Liberdade. Segundo: uma pressão vigorosa para que o Município invista a sério no Centro Histórico e com a máxima rapidez, não daqui a um ano, mas já.

Por último é urgente que se estabeleça como regra o acompanhamento arqueológico de todas as obras de vulto, incluindo urbanizações que realizam nos arredores da cidade. E para delimitar as zonas patrimoniais mais sensíveis deve-se proceder, também com urgência, a prospecções sistemáticas em toda a área do concelho, financiadas pela autarquia.»

Eu não sei bem quais são as expectativas dos bracarenses em relação ao assunto.

Também não conheço os projectos já apresentados, mas não percebo, à partida, como pretendem conciliar a musealização das ruínas com o trafégo subterrâneo de automóveis, se é que o pretendem conciliar.

Concordo que existe uma necessidade, particularmente urgente, como já ficou demonstrado pelos acontecimentos na Rua dos Chãos, como também recorda Sande Lemos

«Sera que já nos esquecemos dos operários que morreram na Rua dos Chãos? Tragédias idênticas só não ocorreram por acaso, na Rua de S. Marcos e na Rua da Cruz da Pedra.»

Mas será que queremos misturar os dois assuntos?

É que mesmo o debate sobre a forma como se deve tratar o assunto dos vestígios arqueológicos parece estar a ser muito – demasiado – direccionado para este caso concreto. Verdade é que existem alguns que foram, parece-me, bem integrados (Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e Estação da CP), apesar da norma, provavelmente contestada a nível mais técnico, mas relativamente incontestada a nível “público”, a quem agora se apela, foi a da escavação, catalogação do que se encontra e posterior enterramento ou, num caso ou noutro, deslocalização dos achados.

Não sei bem o que se pretende com tudo isto. Sei que a vontade de muita gente até seria cortar o trânsito, por completo, ad eternum, no centro da cidade. Talvez essa seja parte da motivação, da mesma forma que o assunto está a servir para falar sobre a recuperação do centro histórico, num plano bem mais geral.

Parece-me que, no que às ruínas concretamente diz respeito, o assunto poderá ser resolvido de uma forma relativamente célere. Mas se quiserem tornar esta situação concreta num caso maior, de completa renovação e reordenamento do centro histórico, temo que não vá ser assim tão célere.

Certamente, existirá também algum desejo, pelo menos de algumas partes, de arrastar um pouco o assunto até às autárquicas (e aí seria, provavelmente, adiada a solução para uma data posterior), para que exista, mais do que a “consulta pública” (que entendo como consulta de técnicos e de certas instituições), um debate mais alargado, da sociedade civil e dos entes políticos e que se acabem por gerar promessas eleitorais quanto à revitalização da zona histórica.

20

Oct

Fast Forward 2008

Podem ser encontrado no Vimeo, seis dos vídeos do Fast Forward, realizado em Braga.

Via Avenida Central, onde postam a curta vencedora.

17

Apr

País adiado

«Partidos adiam Assembleia Municipal para ver o V. Guimarães»

Nem é preciso dizer nada.

Também hoje uma colega minha tentou ir a uma biblioteca da Escola de Direito… estava fechada o dia todo porque havia uma qualquer «reunião», disseram na Secretaria.

De pequenas em pequenas coisas…

4

Apr

Posts ‘Na Mouche’

1. As propinas eram para aumentar a qualidade das faculdades, lembram-se? – no Zero de Conduta.

2. Entre a Liberdade e o medo perdeu-se a Razão – na Colina Sagrada, sobre a UM.

3. Em defesa dos miúdos – por Leonel Moura, no Jornal de Negócios, ainda sobre o “telemóbel”.

4. A palavra é prata, o silêncio é ouro – no Câmara Corporativa, sobre o silêncio da FENPROF na enorme “derrota” que obteve no Tribunal Constitucional, no que se refere às inúmeras alegações de inconstitucionalidade do Estatuto da Carreira Docente.

5. Braga: circular é viver? – no GEORDEN, sobre os transportes de Braga e o relato de uma viagem de autocarro (via Avenida Central).

29

Mar

Posts ‘Na Mouche’

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